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Hoje recebi um link para um TCC que comparava PMBoK com Scrum...

É interessante esse tema, uma vez que venho debatendo extensamente sobre ele em ambiente de trabalho. Ainda assim, acredito que o TCC em questão deixa de lado um aspecto fundamental na diferença entre as duas metodologias (não, não li tudo, mas foquei principalmente no capítulo que compara e no que tenta compatibilizar).

Acredito que o primeiro equívoco é considerar o PMBoK um "método de desenvolvimento". O PMBoK é simplesmente uma base de conhecimento que estabelece uma nomenclatura e mapeia um conjunto base de processos a serem utilizados no gerenciamento de projetos. Como lá pela página 70 ele mesmo mostra, é completamente possível você aderir ao Scrum enquanto utiliza a nomenclatura e a base de processos do PMBoK.


No entanto entendo que esse não é o fim do debate, uma vez que, na verdade, está-se aqui tentando fazer uma oposição à gestão de projetos tradicional vs a gestão de projetos ágil. Isso nos leva a duas perguntas:


1) O que diferencia os métodos tradicionais dos ágeis?

2) Quando a escolha de um ou outro é mais acertada?


Para a pergunta 1, existem dois pontos, que no meu entender são chaves para mapear a diferença entre os dois projetos.


1) Em métodos tradicionais, entende-se que o projeto tem um produto que só faz sentido na sua totalidade, mesmo que existam alterações no escopo (devidamente documentadas e aprovadas), o projeto só é bem sucedido no final. Em métodos ágeis, parte-se do princípio que um conjunto mínimo das funcionalidades já irá ser de valor para o cliente, de forma que, mesmo que o projeto seja descontinuado depois de um tempo, o cliente já recebeu um valor efetivo. No entanto, é importante entender que não se trata aqui de ter ou não entregas intermediárias, mas sim trata-se de um sucesso progressivo ou se só é sucesso no final.


2) Em métodos ágeis, a medida das entregas está 100% sobre o trabalho realizado, quem faz os orçamentos é o desenvolvedor e o gerente negocia com o cliente *quais* atividades serão desenvolvidas agora, mas a eficiência da equipe não é propriamente um centro da discussão. Isso é importante porque o cliente não tem, nas metodologias ágeis, uma visão completa de quanto vai custar o produto final, enquanto em métodos tradicionais a medida das entregas está 100% sobre o escopo especificado, e, em geral, o valor total do investimento também é conhecido à princípio, de forma que o papel do cliente é validar o escopo, equanto a eficiência da equipe é um problema única e exclusivamente do próprio laboratório.


Acredito que esses dois pontos nos levam para uma solução interessante para a segunda pergunta, vou tentar resumir quais são, na minha opinião, as linhas de corte sobre quando adotar métodos ágeis e quando adotar métodos tradicionais.


1) Se o projeto tem um escopo fechado à princípio e, na visão do cliente, não existe sucesso a não ser que o produto esteja 100% entregue, ir para métodos ágeis significa que você está simplesmente ignorando os riscos do projeto, uma vez que você não consegue ter uma visão clara das linhas de base de escopo e cronograma.


2) Se a remuneração do projeto (mesmo que estejamos falando apenas em termos conceituais) estiver ligada a um escopo previamente planejado em oposição à remuneração pelo trabalho efetivamente realizado (incluindo o custo dos re-trabalhos), ir para métodos ágeis significa que você estará efetivamente dando um tiro no pé, pois você tem um montante a receber para entregar um conjunto específico de funcionalidades e não vai receber a mais só porque você entregou em versões sucessivas que atendem melhor a necessidade real do cliente.


Alguns exemplos onde métodos ágeis dificilmente fazem sentido, imnsho:


1) atendimento a um edital de licitação ou um edital de seleção de uma fonte qualquer de financiamento. Em geral o termo de referência - sejam submetidos por você ou definidos pelo licitante - define um escopo fechado.


2) entregas de primeiras versões de software. Em geral conhece-se um conjunto mínimo de funcionalidades necessária para aquele software ser útil e, em geral, esse escopo mínimo normalmente representa uma quantidade significativa de trabalho e normalmente a expectativa é que os recursos disponíveis para essa primeira entrega sejam definidos à priori.


Em resumo, se eu tivesse que definir a diferença entre os métodos tradicionais e os métodos ágeis em uma frase, eu diria:


"Nos métodos tradicionais o risco deve ser gerenciado pela equipe de desenvolvimento, nos métodos ágeis é pelo cliente".

PMBoK

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Às vezes ouço as pessoas dizendo que vai usar a "metodologia PMBoK" para conduzir algum projeto. Esses dias vi uma polêmica sobre um artigo no iMasters onde o autor descia a lenha nas metodologias ágeis, e que nos comentários também se repetiu isso.

Acho que vale a pena um esclarecimento: PMBoK não é uma metodologia de gerenciamento de projetos, na verdade a sigla é simplesment Project Management Book of Knowledge, que descreve um conjunto de nomenclaturas e áreas de conhecimento relacionadas ao gerenciamento de projetos.

De uma maneira clara, nada impede de você usar o que está escrito no PMBoK para gerir um projeto em Scrum ou eXtreme Programming, da mesma forma que nada impede de você gerir um projeto não-agil sem estar alinhado com as questões listadas no PMBoK.


O maior valor do PMBoK está em estabelecer os 8 eixos que qualquer gerente de projetos (em qualquer área) precisa estar atento, quando desenvolve um projeto. Os eixos são:



  • Escopo
  • Tempo
  • Custo
  • Qualidade
  • Risco
  • Recursos Humanos
    <LI<Comunicação
  • Aquisições


O próprio livro diz que cabe ao gerente de projetos definir o quanto cada um desses eixos é relevante para o sucesso do projeo. Da mesma forma, apesar de o PMBoK descrever um conjunto de processos para cada um desses eixos, em cada uma das fases de desenvolvimento do projeto, esses processos tem um papel de equalizar o "idioma" dos gerentes de projeto, uma vez que são listados quase todos os processos possíveis de serem feitos no gerenciamento de um projeto. Novamente cabe ao gestor decidir quais processos irão agregar valor ao projeto.


Para concluir, metodologia de gestão de projetos vão ser sempre específicas ao tema. E apenas para esclarecer a questão das metodologias ágeis: a linha de corte, para mim, entre uma metodologia ágil e não-ágil é a definição prévia do escopo vs a definição de que o escopo é flutuante, ou seja, se em um determinado projeto o escopo é flutuante e a entrega de um conjunto pequeno desse escopo já resulta em valor, dizer que usa metodologia ágil sem esses dois elementos é dar uma de avestruz.

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